Claro, você provavelmente também acha que viver no Brasil é hardcore. É muita conta, imposto, burocracia.

Vivendo na burocracia...

Vivendo na burocracia…

Mas, né, aqui não é o Estadão e nem a Folha. Não estamos falando de política e economia (pelo menos, não muito). Estamos falando de música mesmo.

Deixa eu contextualizar. Sabe aquela tecnologia da idade da pedra lascada de ouvir música, o CD? Pois é, ele saiu de moda, né? Aí que as editoras, gravadoras, selos, etcs, estão apanhando de vara de marmelo por aí porque a galera anda ouvindo música por telefone, né? Então, você pode não acreditar mas no seu telefone tem bichinho verde chamado Spotify.

Lembrando, telefone é um aparelhinho magrelo e sexy que dorme no nosso bolso (e no nosso coração), não aquele trapezóide bege amarrado na parede com um monte de fio.

Então, o bichinho verde que toca música no nosso telefone é um aplicativo de streaming (há, falei chique hein?) E como todos os bichinhos que moram dentro do nosso telefone, eles sabem muito mais sobre o mundo do que eu e você.

O Spotify publicou em 2 de abril uma pesquisa para identificar a lealdade dos ouvintes aos seus estilos musicais preferidos. Como qualquer pesquisa, é uma análise de um universo restrito que serve de exemplo para identificar uma tendência, porém não necessariamente uma verdade absoluta. Dito isso, observe com tempo e atenção este gráfico:

Fidelidade de ouvinte no Spotify por gênero

Fidelidade do ouvinte do Spotify por gênero – não tenho certeza, mas acho que essa escala é em milhares de ouvintes. Mas também pode ser milhões…

 

O que esse gráfico realmente significa é que o brasileiro mais ama é ouvir punk nacional e axé, forró, sertanejo e pancadão sequer aparecem na lista… Até parece! Bem que eu gostaria!

O Spotify criou uma lista de principais representantes de cada estilo musical (que eu imagino sejam os mais ouvidos) e identificou entre eles quem tem a maior taxa de retorno entre os ouvintes. Ou seja, os fãs do punk nacional só usam o Spotify para ouvir o punk nacional. Os metaleiros, os roqueiros do sul, etc, etc, todos eles também.

O fato que pancadão, pagode e sertanejo sequer aparecem na lista, significa que a fidelidade desses ouvintes é menor, ou seja, os ouvintes usam o aplicativo para ouvir de tudo um pouco. Para quem está aí nos palcos todos os dias, buscando espaço para sua própria música, boa notícia. A conclusão do Spotify para a análise dos dados de todos os países é (e eu concordo): música local inspira maior fidelidade.

Boa notícia para a gente, guerreiros com os pés no chão: gêneros da modinha estão em todas, porém o ouvinte cansa rápido. E vai voltar para aquilo que é nacional.

Eu fiquei dando tratos à bola com esse assunto e extrapolei um pouco as conclusões. Acredito (mas não tenho provas) de que as pessoas vão buscar a familiaridade na hora de ouvir música. Existe a influência da TV, do rádio, dos amigos, dos inimigos, mas no fim o que todos estão procurando é algo com o qual eles possam dialogar e se entender.

E isso não necessariamente quer dizer que o povo gosta de música simples e de harmonia pobre, já que a MPB está ali no quinto lugar e o tal do “Brazilian Composition” (que são os músicos com mais notas por segundo) está em sétimo, bem a frente de Reggae, por exemplo.

O punk nacional aparece na lista em primeiro lugar para mostrar que, mais cedo ou mais tarde, a gente vai voltar a cantar em português.

Nota de rodapé importante: pagode não aparece na lista, mas samba sim. Porém a concepção de samba do Spotify é meio solta. Tem Beth Carvalho, Cartola, Chico Buarque e Clara Nunes, mas também tem Jorge Ben Jor, Luiz Melodia e Tim Maia. Mas não tem Jeito Moleque, Fundo de Quintal, Gera Samba, etc.

Outra nota de rodapé: hip hop é rap, não é pancadão. Para ver as listas das músicas utilizadas pelo Spotify para criar essa lista, clique aqui e aumente o som! O Brasil é o segundo país do artigo.

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