Aviso aos incautos navegantes: este artigo será recheado de clichês! Sim, a minha professora de português na sétima série também me falou para fugir de clichês como o diabo foge da cruz, mas sou dono dessa porra toda aqui, faço o que eu quero.

Agora que eu já mandei um, vamos ao clichê número 2: quem quer, faz. Quem não quer, arruma uma desculpa. Prince Harvey é do primeiro tipo. Ele realmente queria gravar um CD. E ele gravou. E eu só fiquei sabendo deste fato porque ele teve o desplante de gravar seu CD inteiro sozinho em um computador em uma loja da Apple. Guerreiro, o figura.

O CD será oficialmente lançado em 26 de Julho, mas já tem 3 músicas no SoundCloud. E a (atenção para o clichê #3) pergunta que não quer calar é: deu certo? Presta? Deu certo porque o CD ficou pronto sem apanhar dos seguranças da loja. Se presta, aí é outra história. Eu não sou um grande conhecedor de rap e do pouco que eu ouvi de rap na vida, achei o trabalho do Prince bem exótico, bem cru e, meio que assim, bruto e… tá, ok, a verdade é que achei uma merda. Ouça aí e me diga você o que acha do som do cara.

Ok, vamos contextualizar: mantendo em mente que ele estava sem um puto no bolso nem para o próprio computador, que dirá estúdio, sem participações, sem um produtor musical, técnico, editor, etc, até que não ficou ruim. E provavelmente ficou exatamente como ele queria que ficasse. Nas entrevistas para os sites gringos, ele disse que precisava ter um CD (quem nunca…) e, conforme ensina o clichê #4, antes feito do que perfeito.

A lição do dia aqui é exatamente o clichê #4, praticamente um mantra do empreendedor. Não, não vamos considerar que mal feito seja melhor do que feito, ok? Não se apresenta rascunho por aí e muito menos trabalho mal feito. Mas às vezes a expectativa do resultado e a ansiedade são muito grandes e aquele projeto que é importante para a carreira vai ficando para trás e para trás por falta de grana, tempo, colaboradores ou porque não estava ficando exatamente com a cara que a gente queria.

O problema é que o risco de não fazer cresce com o preciosismo. Na maioria das vezes, é melhor por para fora e tocar adiante ajustando o resultado.

Prince Harvey foi lá e fez. E ainda fez também um videoclipe. E fez (lá vai clichê #5!) com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. No caso dele, um celular na mão e uma ideia ruim na cabeça. O clipe de trabalho, que você pode ver logo abaixo é beeeeem fraquinho. Mas, antes feito do que… ah, ok, neste caso ficou mal feito mesmo.

Mas é importante notar que o motivo principal pelo qual esse clipe ficou ruim foi por conta do seu conceito para lá de batido (salve, Bob Dylan!) não só pela sua execução podrera. Veja bem, a execução não ficou podrera do tipo tão ruim que fica até legal, como o Zé do Caixão fazia em seus filmes. Ficou ruim com cara de ruim mesmo. Mas a “produção” ruim poderia ter passado batido se o conceito geral fosse mais bacana. Outra opção nessa hora é lembrar que não ter verba nenhuma para a produção de um vídeo pode até virar o um trunfo. Ou seja, (atenção para o clichê #6) da sua fraqueza é que você pode extrair a sua força, ou (clichê #7) se a vida lhe der limões, faça uma limonada ou (insira aqui seu clichê preferido ___ ____ ____ ___ ___).

Veja este:

Los Piratas gravaram, aparentemente, no circuito interno de segurança de um prédio. A postagem é de 2007 e eu nunca mais esqueci dele. Antes de pensarmos, “ah, vai ser difícil, complicado, caro”, vá lá e faça o que precisa ser feito. E vai ajustando o resultado ao longo do processo. Confia em mim, o processo nunca vai terminar efetivamente.

Prince Harvey tem erros e acertos, mas ele foi criativo e, principalmente, ousou. Não gostei do som dele e ainda desci a lenha no video. Tenho certeza que neste momento muita gente está pensando exatamente a mesma coisa e que, se for para fazer nessas condições, é melhor nem fazer. Não obstante, com essa publicidade toda do fato dele ter se aproveitado de uma oportunidade, ter entortado as regras um pouco e ter conseguido realizar seu sonho com certeza virá um avanço na carreira e alguns benefícios que, imagino, muita gente está pensando que eu ele não merece. Aliás, eu dentro da Apple, colocava esse doido para anunciar notebooks. Daqui a pouco virão os shows (provavelmente bem pagos), mesmo a música dele sendo horrível, enquanto tem um monte de gente de talento por aí precisando / merecendo uma oportunidade dessas.

Eu poderia justificar com clichê #2 e clichê 4#, mas acho que vou me sair com um outro ainda. Clichê #8:

A inveja é uma merda.

Ele foi lá e cavou a oportunidade dele oras. Coisas como essa não vão cair do céu (clichê #9, talvez?)

E antes de encerrar por hoje, uma declaração do próprio, para um site gringo:

“I don’t think I’m poor. Poor is a mentality. I mean, I can be broke — no money in my pocket — but I’ve never been poor. I’ve been rich my whole life”

“Eu não acho que eu seja pobre. Pobre é uma mentalidade. Quer dizer, eu posso estar falido – sem dinheiro no bolso – mas eu nunca fui pobre. Fui rico a vida inteira”

E você aí reclamando da vida, hein?

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