Marca é um cânone do marketing. É uma das pedras fundamentais da sobrevivência no mercado. A representação gráfica de uma marca (portanto um logo ou um logotipo) é uma imagem que desperta nas pessoas uma série de emoções. Essas emoções são a soma das experiências que essa pessoa tem com os produtos ou empresa ou pessoa ou local ou mesmo manifestação artística.

Pense assim: o que esta marca evoca?

caixa

Dá gastura, né? Dá até para ver a cara de tédio do atendimento.

E esta marca, o que traz?

Simpsons Logo

 

Todas as marcas, bem trabalhadas, trazem em seu bojo uma grande carga emocional. Tanto a Caixa quanto os Simpsons são marcas que existem há anos (no caso da Caixa, mais de século; foi fundada em 1861, sabia?) e ao longo de todos esses anos, cada ação, cada produto, cada propaganda contribuiu para colocar na sua cabeça, alguma informação sobre a marca. Entregar bons produtos é uma maneira de fazer com que você tenha uma boa experiência com a marca e, portanto, tenha uma boa lembrança emocional dela.

E, claro, se você já leu mais de duas linhas deste site, sabe que eu sou um grande legislador de que arte e artistas também já possuem suas marcas, mesmo aqueles que não querem ter. Pense no que evoca o nome Romero Britto. Você nunca sentou para conversar com o Romero Britto. Você viu meia dúzia de quadros dele em algum jornal ou revista, você não conhece a história dele. Mas você já tem uma opinião sobre o trabalho dele e provavelmente sobre ele como pessoa. Essas são as sensações que a marca Romero Britto evoca para você. O mesmo temos pelo Tom Hanks. Tom Hanks é uma marca que traz infinitas sensações. E o mesmo vale para o Antonio Fagundes. E para o Marcelo Rubens Paiva. E para o Paulo Coelho.

Este é o motivo pelo qual a publicidade utiliza celebridades: um produto novo, nascendo no mercado é virtualmente desconhecido e não possui nenhum atributo emocional que o consumidor conheça, por mais que se diga que ele é mais econômico, lava mais branco, tem melhor desempenho, etc. Aí que se coloca o ator bonitão da novela para sorrir ao lado do produto e, portanto, o produto fica associado, na nossa cabeça aos atributos desse ator. E pronto, o produto vai ao mercado já com alguma credibilidade.

Como você é uma pessoa esperta, já deve ter sacado onde eu quero chegar com esse texto: a sua marca. Sim, você tem uma marca. Neste momento, ela provavelmente seja apenas o seu nome e talvez esteja na hora de você pensar em um logotipo também. E muito você se engana se o seu público vai reconhecer você pelo que você é. Você tem características que acha muito importantes as pessoas saberem, mas ao mesmo tempo acha arrogante ficar repetindo e espera que as pessoas percebam por si mesmas.

Sinto muito, não vai rolar. Aliás, já não rolou. Os filtros das pessoas são distorcidos pelos valores delas e você não tem a menor esperança de saber qual é e como funciona. Suas características específicas podem ou não transparecer através de sua marca. Administrar uma marca é em si, um trabalho para toda uma vida e altamente complexo. Mas há esperanças. Uma delas é você não deixar nunca de fazer as pessoas perceberem qual(is) a(s) característica(s) que você quer que elas se lembrem. Como? fale isso. Ah, mas eu tenho timidez de dizer o que eu quero que as pessoas lembrem sobre mim. Mas as marcas fortes não têm, portanto diga. Não porque você se acha melhor, mas porque você estudou / trabalho / se preparou para isso.

A Brastemp, inclusive, não deixa de nos lembrar que as outras não são nenhuma Brastemp. a Skol durante um bom tempo martelou que ela desce redondo (mas deveria descer redonda, porque né, cerveja = feminino). E por aí vai.

Logicamente, ações falam mais alto do que palavras (para traduzir mal e toscamente um ditado em inglês), mas tente sempre lembrar-se de que nem todas ações são percebidas pelo seu público alvo. Às vezes é necessário um bom e velho “estou realizando a ação tal, porque eu quero que você lembre disso!” – sem medo de ser feliz.

Uma marca bem administrada poderá adquirir superpoderes de transformação e, como uma varinha mágica, lançar às estrelas uma iniciativa nova e pequena. É o que a maioria dos artistas busca (sem perceber) ao convidar alguma referência na sua área para participar de um projeto. Vale a pena bancar o super cachê de um artista bem estabelecido?

Depende.

Pense no seu público alvo e qual o artista referência que você gosta e gostaria de trabalhar. Esse artista é uma referência para você, claro. Mas é uma referência para o seu público alvo? Para o fã do samba atual, a velha guarda da Portela é uma referência? Se o seu público identifica a sua referência como uma referência positiva, sim, vale o cachêzão que vem vindo aí. Se você for um grande fã, mas o seu público tem outro entendimento do trabalho, esqueça. Procure outras. Que é o que acontece com todo mundo por aí. Cito como exemplo o grande semi-deus do blues BB King que gravou um CD inteiro com participações, chamado Deuces Wild, no qual participam grandes caras como o Eric Clapton (lógico!), Dr John, Willie Nelson, Joe Cocker, mas também tem uma faixa com o Heavy D, que é um rapper. Aqui, BB King estava buscando ampliar o acesso a um público mais jovem, em especial nos EUA, onde o blues não tem muito mais espaço. Especialmente entre jovens e negros.

Valeu a pena? Muito provavelmente, os fãs de Heavy D descobriram a existência do BB King, então, até aí, sucesso. E a música prestou? Eu não gostei, mas vê aí tu o que me diz.

Por isso é que algumas marcas, sozinhas, valem bilhões de dólares. E vale a pena cuidar muito bem da sua. Você tem sim uma marca, quer queira, quer não. Se você não cuida dessa marca, pode acreditar, ela é o que falam de você por aí.

E do jeito que o povo é maldoso e fofoqueiro, se eu fosse você ficava esperto(a).

 

 

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