Toda vez que algum artista celebridade consegue aprovar um projeto na Lei Rouanet (o que não é nada difícil), chovem críticas, claro. Agora ao menos parece que a imprensa conseguiu descobrir dois fatos mais do que básicos sobre a Rouanet, sendo:

1) ter o projeto aprovado não quer dizer que o dinheiro aparece imediatamente (como eu queria que fosse…) e

2) o projeto é aprovado porque estava dentro da lei e a lei é a mesma para todos os brasileiros.

Mas isso não impede uma malhação do Judas generalizada e irrestrita. Afinal, não é porque a pessoa não sabe nada de nada sobre investimentos em cultura que não tem o direito de fazer escândalo no Facebook, certo (maldita inclusão digital…)?

Ok, tenho que reconhecer que as críticas são razoáveis. Uma delas é que o artista celebridade não precisa usar esse recurso (o que é parcialmente verdade) e que deveria ser dada a oportunidade para artistas “menores” (menos verdade ainda, já que o patrocinador não vai trocar um pelo outro).

Talvez a crítica mais adequada e consistente à Rouanet seja sobre o fato que o dinheiro é 100% oriundo de impostos devidos, portanto dinheiro público, enquanto a decisão sobre onde esse dinheiro é investido está na mão de empresas privadas, empresas essas com foco em outras questões de uso de investimento cultural e sem conhecimento sobre arte. Verdade. E, sim, vale a pena sempre ajustar a forma de se pensar a cultura e o subsídio público.

dinheiro do contribuinte em pleno funcionamento

dinheiro do contribuinte sendo bem aplicado, maaaaaassss…

Mas, por enquanto, a outra opção existente não é nada atraente.

Se por um lado a Rouanet na mão das empresas privadas apresenta o risco de uma má gestão dos recursos, por outro lado, a gestão da cultura nas esferas públicas apresenta o risco de:

1) graves desvios e corrupção generalizada (neste exemplo segundo o Maestro Osvaldo Colaruss sobre a OSB, a OSESP e o Theatro Municipal de São Paulo) ou

2) risco de falta de verbas, neste exemplo do que ocorre agora com a OSBA (a Orquestra Sinfônica do Estado da Bahia) ou ainda

3) um corte de verbas, corrupção e um complemento com a Lei Rouanet, que é o caso da OSESP e seu orçamento de R$ 90 milhões, dos quais em torno de R$ 8 milhões anualmente, vem da Rouanet. Contei 20 projetos ao todo ao longo da história da OSESP.

A questão que nos sobra, neste momento ruim com ela, pior sem ela é: cortar não pode, deixar de investir não pode. Deixar a iniciativa privada gerenciar é fria; deixar o governo gerenciar, outra fria.

E agora?

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