E, mais importante de tudo, A Lei Rouanet é para mim? Para a minha carreira? Bom, depende de muitos fatores, mas vamos por partes:

1 – O que é Lei Rouanet e como funciona?

Você provavelmente já deve ter uma boa ideia do que se trata, dado o volume de histeria no Facebook. E também deve saber se tratar de uma lei, já que, dãããr, o nome do treco é “Lei Rouanet”. E se você já gastou 10 minutinhos lendo meu site ou se curtiu minha página no Face (curta! curta!), também já deve ter alguma informação. Mas tem mais coisa que precisa ser compreendida, para diminuir a confusão e porque às vezes, você pode estar perdendo algumas boas oportunidades. Como a oportunidade de ficar rico e famoso, por exemplo.

Rico, famoso e sexy!

Rico, famoso e sexy!

Muita gente me pergunta muito das mesmas coisas, portanto vamos voltar ao básico. Primeiro de tudo, por que o governo criaria essa lei? A lei Rouanet foi criada em 1991 (sob o governo de Fernando Collor) para permitir uma parceria entre governo e iniciativa privada para estimular a produção cultural. Essa parceria pressupunha que um projeto receberia 30% de verba do governo (através de um desconto no imposto de renda) e 70% da verba viria do caixa da empresa patrocinadora. Esse mecanismo existe ainda e se chama artigo 26 dentro da lei, e é nesse artigo que ficam a maioria dos projetos das celebridades (e a galera tanto reclama).

Foi só em 1999, quando o FHC era presidente que criou-se uma nova modalidade de projeto, do artigo 18, no qual 100% da verba do projeto seria bancada pelo governo, através da dedução do imposto de renda.

Isso pode ser o melhor assunto para uma boa discussão: se o dinheiro é do governo, por que é que a empresa patrocinadora decide qual projeto patrocinar?

A Lei Rouanet é vista uma política pública de estímulo à cultura. Mas não é exatamente democrática. Aprovar o projeto é uma tecnologia simples: há um formulário on line, você preenche, anexa documentos (tudo online, chique!), eles analisam dentro de alguns critérios bastante razoáveis (tipo interesse público, acesso democrático, adequação de custos, etc) e aprovam ou reprovam. Simples. E, sim, acessível. A aprovação não é nenhum bicho de sete cabeças, não é o fim do mundo. Eu ensino em cursos e, curso ou não, recomendo você tentar para ver como é.

Mas isso não é o fim da história. Difícil é a parte 2 dessa história.

2 – O que diferencia o sucesso do fracasso: conseguir patrocínio para o meu projeto.

Ter projeto aprovado é uma coisa, mas conseguir patrocinadores é outra história. Sem patrocínio, não há projeto, infelizmente. E quando o projeto é aprovado, infelizmente, patrocinadores não derrubam a sua porta carregando sacos de dinheiro para jogar sobre você.

Cala boca e aceita meu patrocínio!

Cala boca e aceita meu patrocínio!

Para a sua sorte, eu facilitei sua vida e preparei o mapa da mina.

Então, projeto em mãos, você procura uma empresa. E nada. E depois outra. E nada. E outra e outra e outra. Aí você descobre que captar patrocínio é um emprego de tempo integral. Então resta decidir se você vai viver criando bons projetos ou se vai viver captando recursos – o que é um emprego interessante, com seus desafios. Você deveria tentar. Só um pouquinho. Não? Não mesmo? Olha, tem uma boa grana aí…

Ok, então nada de emprego novo para você.

Isso quer dizer que você terá que permitir que seu projeto seja captado por outra pessoa ou empresa. Na verdade eu recomendo que você passe o seu projeto para todo mundo que você encontrar. Captador ou não. Mas isso pressupõe algumas coisas.

Você estará entrando em um mundo onde não é só da sua vontade que manda. Aprovar um projeto sim, é apenas esforço pessoal de aprendizado e dedicação. Para captar patrocínio você terá que acomodar os interesses de mais pessoas, por exemplo o captador de patrocínio que por sua vez estará buscando acomodar os interesses da(s) empresa(s) patrocinadora(s) – é você pode ter várias.

O que significa isso? Fazer um projeto merda e bem popular? Não necessariamente, mas definitivamente um projeto que converse com as políticas de patrocínio da empresa e que traga um benefício real para o interesse da empresa. Às vezes, o patrocinador pode ter interesses mais educativos, portanto ela vai buscar patrocinar projetos de ensino de artes (ou de coisas mais técnicas, como fotografia, cinema). Às vezes a empresa pode ter interesse em projetos que mostrem uma preocupação ambiental. Vai lá o clássico projeto de teatro que trata de temas ambientais, ensinando reciclagem, por exemplo. Ou super interatividade com uma população próxima à empresa. Ou um projeto de alta visibilidade com vários ingressos gratuitos.

Existe patrocinadores que buscam projetos que beneficiem apenas a arte na sua forma mais pura? Sim, existem. Pela minha experiência, são menos as empresas com esse perfil, mas estão aí sim.

O que compete a você, como produtor de arte é saber escolher o seu projeto. Cabe aí também a escolha. O projeto é a sua realização ou uma oportunidade de ganhar uma grana e conseguir, aí sim, tocar os eu projeto?

Vale a pena gastar um tempo e dedicação e aprovar um projeto, mesmo com as dificuldades de captação? Vale. Pense que é como ter um seguro. Custa caro ter. Custa mais caro não ter.

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