Quero viver de cultura, mas não chega dinheiro e apoio de lugar algum. Meu, e agora? Vou ter que ficar correndo atrás de projetos à torto e à direito? Aliás, whattheporraisthis de projeto cultural?

Calma, que a gente descascar todas essas questões. Então, uma de cada vez:

Mas afinal o que é um projeto cultural?

Bem, é tipo assim, bem, sabe como é… Sim, é difícil entender o que está acontecendo e, mais importante, o que é, onde começa, para onde vai, etc. Isso porque um projeto pode ser exigido por diversas fontes possíveis. Um projeto pode ser submetido à apreciação de uma ONG, de um patrocinador privado, de uma empresa estatal, de uma prefeitura, de um Estado, de uma igreja e, claro pode ser submetido ao governo federal, em geral através do Ministério da Cultura, que cuida da famosíssima e controversíssima Lei Rouanet.

projeto cultural infinito

projetos e mais projetos e mais projetos e mais projetos

E, se existe tantos órgãos por aí que exigem/aceitam projetos culturais, logicamente isso quer dizer que projeto não é tudo a mesma coisa. Aí a pessoa vai lá e busca “projeto cultural pronto” ou “modelo de projeto cultural” no google na esperança que alguém tenha já disponibilizado um PDF prontinho para copiar e colar (ou melhor ainda, um modelo em Word com espaços em branco para você preencher seu nome, os integrantes do seu grupo, onde você vai se apresentar e pronto, já está caindo dinheiro na conta.

Bem que eu gostaria. Mas infelizmente, projeto é algo artesanal ainda. Modelo pronto, neca de pitibiriba. Você provavelmente tenha um conceito do que quer fazer e como se apresentar. Mas isso ainda não é um projeto cultural. É uma ideia, um conceito. E se você colocar isso no papel, bem caprichadinho e formatado, com fontes coloridas e tabelas, você ainda não vai ter um projeto em mãos. Você ainda terá um conceito. Um conceito muito mais bem acabado, verdade, mas ainda um conceito. O projeto é aquele que tem começo, meio e fim e destino certo. Esse destino, é claro, é uma das instituições que eu mencionei ali em riba, no segundo parágrafo.

Que são muitas.

PUTZ! E agora? Vou ter que ficar escrevendo milhares de projetos?

Sim e não.

paperwork

Felipe, chega logo na parte do “não”!

Para você submeter seu conceito, sua ideia a algum tipo de patrocinador, incentivador, apoiador, você tem que redigir um projeto novo exclusivo para cada um, e sim, isso quer dizer muita burocracia e alguma dor e sofrimento (bem vindo ao mundo da cultura e empreendedorismo criativo!)

Mas existe uma boa notícia: projetos falam todos a mesma língua. É uma gramática meio diferentona, meio texto acadêmico misturado com juridiquês (é, tem que aprender a ler edital e lei… taí um treco chato…), mas se você começa, depois acaba ficando mais fácil. E, sim, são bem repetitivos. Tem campos nos quais você preenche com coisas que já disse em outros campos. Mas é assim mesmo. E quem vai ler vai passar pelos mesmos perrengues que você passou quando escreveu. Mas para vocês dois, a máxima é a mesma: no começo dói, mas depois acostuma.

Todos os projetos vão exigir “objetivos gerais”, “objetivos específicos”, “justificativa”, “cronograma”, “orçamento”, etc. E você pode escrever seu conceito em um projeto e depois adaptar esse projeto em outro e em outro e em outro. E vai melhorando a cada escrita.

Opa, mas se é tudo parecido, então eu posso pegar um modelo de projeto cultural pronto e adaptar? Ah, ok, na verdade pode. Como produtor e professor de sobrevivência no mundo das artes, eu deveria dizer para você se entregar de corpo e alma e se dedicar com afinco e que as artes exigem alguns sacrifícios, mas a real é que nesse mar de burocracia que a gente atura, pode tacar pau nos CRTL + C / CTRL + V da vida que suas chances são razoáveis.

No mais, analistas de projetos sabem que estão lidando com artistas e produtores e demais profissionais do empreendedorismo criativo e não advogados detalhistas, então pode contar com o esforço deles de entender e fazer com que seu projeto ande.

Você vai ter que se esforçar. Mas, olha, vai ser uma linda lua de mel entre vocês.

romance

você e a pessoa que analisa do seu projeto

 

Comentários

comments