Se você está buscando um incentivo qualquer que seja para a sua carreira, um projeto cultural pode ser uma boa pedida. Mas que tipo de projeto? Qual apoio eu posso pedir? Para quem?

Vamos lá descascar esse abacaxi, uma questão por vez:

Como assim, um projeto cultural? Eu só quero uma graninha…

Sim, grana é bom, e é por aí que a gente começa a pensar que ser artista não é tão fácil assim. Enquanto a maioria dos empresários corre para o banco, o artista, ou empreendedor criativo de qualquer calibre corre para…? Lugar nenhum? A Terra do Nunca?

Bora atrás da grana, galera!

Bora atrás da grana, galera!

Projeto cultural é apenas o nome do documento (ou coleção de documentos) que resume bem o que vai ser realizado e como para que os parceiros e apoiadores possam entender o que está acontecendo e, mais importante, ganhar confiança. Nem sempre estamos falando de dinheiro. Às vezes pode ser um apoio mesmo, divulgação, cessão de direitos autorais, colaboração, etc, etc. Mas isso exige tanta burocracia? Infelizmente sim, em geral exige.

Existem mil formas de conseguir todo tipo de apoio. Grana, sim, é possível. Direitos autorais também. Ou passagens, ou hospedagens, ou distribuição, ou divulgação. Tudo o que é necessário para impulsionar a sua carreira ou ideia.

E onde conseguir essas coisas todas? Bem, um sem número de instituições oferecem diversas possibilidades, como o edital do Ministério da Cultura que oferece passagens aéreas internacionais, ou os editais de ocupação de espaços culturais diversos. Mas o estímulo mais comum às artes é em dinheiro. E aí tem prefeituras, estados, empresas, ongs, igrejas, etc, etc, etc. Ou seja, uma galera que pode estimular um projeto criativo.

Mas quem é essa galera?

É aí que o bicho pega: quem é que vai ler o projeto que eu escrevi com tanto amor e carinho? Qualquer um? Um mero burocrata? Logicamente, depende de para quem você submete o seu projeto. Em instâncias do governo, quem vai ler o seu projeto são os funcionários daquela área ou setor (por exemplo, na Secretaria de Cultura da sua cidade, o projeto vai ser avaliado pelos próprios funcionários), mas é comum que sejam convocados também um conjunto de avalistas da área.

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Hoje, no Big Projeto Brasil, quem será eliminado?

Esses avalistas da área artística não são de forma alguma a regra. Às vezes tem, às vezes não tem. Felizmente, essa informação é muito clara. Quando tem, consta nas regras. Consequência disso, você necessariamente escreverá um projeto que não será lido por uma pessoa com a mesma carga de conhecimento que você. Mas nem de longe. Mesmo que você esteja sendo avaliado por uma comissão de análise de projeto com metade de integrantes das áreas artísticas semelhantes à sua e metade de funcionários, a aprovação do seu projeto requer consenso entre os avaliadores. Provavelmente algum avaliador terá que “defender” seu projeto perante os outros. Por isso compete a você escrever um projeto claro, conciso e que seja facilmente compreensível.

Lembre-se sempre que a hora de brilhar não é na escrita do projeto. É nos palcos, depois do projeto aprovado.

No restante das oportunidades de incentivos aos projetos culturais, tais como empresas, ONGs, empresas estatais, essa possibilidade é bem menor. Então, sim, prepare-se para ter seu projeto avaliado por alguém que não conhece o seu trabalho e nem suas fantásticas possibilidades. Mas provavelmente está muito preocupado se você vai saber fazer bom uso do dinheiro que está para receber.

Mas eu quero amor no meu projeto!!!

Tá, tá, não precisa gritar! Vai ter amor também. Nem tudo é só sexo e dinheiro! É claro que não posso falar por nenhuma pessoa, nem por todas as prefeituras, estados, ongs, empresas e estatais, mas, eu posso afirmar que, na minha experiência de produtor, meus projetos sempre foram muito bem recebidos. O atendimento dos profissionais que fazem controle e avaliação dos projetos sempre foi muito atencioso. Dava para sentir que eles estavam mesmo torcendo pelo sucesso do projeto. Ou ao menos, pelo sucesso da inscrição.

É muito amor junto

É muito amor junto

Então, ao menos aí você tem um aliado. Já na mesa de avaliação dos projetos, não sei quanto sangue escorre, mas não deve ser nada bonitinho!

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